sábado, 15 de janeiro de 2011

Adapte-me ao seu ne me quitte pas.

O que tem dificultado é essa nova filosofia do 'segredo'.
Aquele negócio de que pensar atrai. Eu transfiro isso assim: os meus problemas são do tamanho que eu dou a eles. Quanto mais eu falar, mais pensar, mais comentar com alguém o quanto dói, mais existente se torna a dor...ou ela acaba se normalizando como uma coisa trivial? Mais me parece o primeiro.
Na verdade, não era pra gente arranjar dor numa hora dessas.
Não depois de 10 meses de tensão e com o sol que faz agora.
Como se compensasse.
Mas ser humano é mesmo bicho ingrato.
Eu não costumava ser, mas pra tudo ficar mais real, me permito moer de saudade o coração, sentindo falta do vazio que era quando ele mal batia e sim simulava uma engrenagem. Respondendo a um sistema, rodando porque tem que rodar e pronto. Sem sentir. Era leve, era racional...olha aí, pus-me a reclamar.
Chega de saudade.
O resto eu não posso cantar...dói também.
Desta forma mantenho-me distante do profundo. Perto das coisas leves e espontâneas. Dançando conforme a música. Assim neva menos.É que eu não me acostumei a guardar as coisas. É sério. Habituei-me com a enxurrada de sinceridades que dizia para quem quer que perguntasse, falando a verdade, do profundo que nem todos estavam prontos para ouvir e eu dizia. Hoje escondo. 'E esse coração?' 'Digo apenas que ele bate'. Omito os detalhes. Ninguém quer saber. Adaptei-me.
Tô me misturando no ambiente que entro, o meu mesmo tem sido apenas dentro de mim, de onde saio toda hora.
Deixa eu me camuflar, questão de sobrevivência.

4 000 jovens comentaram ;):

Ju disse...

"E se eu colocar tudo pra fora e depois não conseguir colocar tudo de volta?"
Tentei falar algo, mas não consegui.
Acredito que o silêncio de compreensão é o melhor que se tem a ouvir.

Natália Corrêa disse...

ninguém quer saber, né? aprendi isso também. quando perguntam é só por conveniência, e a gente acaba se expondo sem necessidade. talvez eu esteja falando bobagem... guardar essas coisas pode até dar úlcera, dizem. mas pra que falar se não se importam? parece que as palavras pronunciadas, quando não são absorvidas por ninguém, se refletem e voltam pra gente. doem duas vezes.
vai saber.
senti falta daqui.
beijos, xará. :}

Lui disse...

prefiro falar, mas com as pessoas certas...parece que distribuo minha dor e ela se dilui um pouquinho. você bem sabe dessa minha preferência ;)

Leonardo disse...

"Tô me misturando no ambiente que entro, o meu mesmo tem sido apenas dentro de mim, de onde saio toda hora.
Deixa eu me camuflar, questão de sobrevivência."

Incrível!

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Para acalmar geral, verbalize.

 
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