A sinhazinha olhava para Bené desde pequena, quando ele era moleque arteiro e passava correndo pela cozinha, para não apanhar. Ela o olhava escondido, de esguelha, por detrás de seus vestidos brancos e bordados. Ele sabia que ela olhava. Agora, mais na juventude, quando estava na cocheira cuidando dos cavalos via a sinhazinha passeando com seu guarda-sol delicado, na quentura das 10 da manhã. Bené não dizia nada. Achava era esranho que a filha do coronel, moradora da casa grande, virgem fresca e destinada ao altar da maior Igreja da cidade com todo o luxo que ela dispõe aos nobres, olhasse para ele, escravo fedido e suado, sugismundo sem alma; uma mercadoria.
Até quando Bené estava no cafezal, a menina vinha e passava por perto, sem conseguir disfarçar o olhar. O negro sentia. Um dia, Bené puxou a sinhazinha que no susto se deixou levar pelo escravo. Ele a levou até a cocheira, sem nada dizer e foi ali, no feno seco, que Bené mostrou à sinhazinha que ela o queria. Rasgou seu vestido abruptamente e a tratou como ele tratava as negras da senzala que se jogavam aos seus pés implorando por sexo. A sinhazinha explodia de prazer e naquele momento ela era um simples ser vivo, copulando, preto ou branco, não fazia diferença.
O cheiro dos dois se misturaram e o escravo, indiferente, se preocupou em ir até o fim com violência e rudeza, batendo, apertanto, mordendo, enquanto a branca uivava. Sentia-se completa, no céu, em extâse total, enquanto o outro só pensava nas surras que tomou, nas chicotadas que havia levado apenas porque alguém simplesmente quis lhe bater. Bené cuspiu no rosto da sinhazinha e saiu, largando atrás de si. no chão, a filha da sociedade opressora, suja; poderia ser um animal também, mas não era, era branca.
domingo, 12 de junho de 2011
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